Índio e Arthur: Duas histórias, agora em um só clube

Jogar profissionalmente, ao lado do pai ou do filho, é um feito que poucos conseguem no futsal. É comum ver primos e irmãos no mesmo elenco, mas pai e filho defendendo a mesma camisa é algo que não se vê de maneira constante. A edição 2021 da Copa LPF reservou este encontro envolvendo um dos maiores nomes da modalidade: Índio – experiente fixo com passagens pelas principais equipes do país, dentre elas, Atlético Mineiro, GM, Malwee/Jaraguá, Santos FC, Corinthians e agora São Paulo FC (onde atuou em 2015, mas em parceria com a AD São Bernardo).

Índio, de 46 anos, divide a quadra com o filho Arthur, de 19 anos. Juntos, fazem parte de uma história consolidada e uma história que está começando. A seguir, o fixo fala sobre sua volta às quadras e a satisfação em atuar ao lado de Arthur:

Pra mim foi uma surpresa, porque eu estava sem jogar há dois anos. Mas como eu mantenho a forma, sempre treino, jogo alguns extra-oficiais e faço eventos, não tive tanta dificuldade. E ai, a convite do Renato Bispo (eu já tinha trabalhado com ele no Martorell), que é um profissional de confiança e me mostrou um projeto legal, e o Artur queria jogar também, mas com esse negocio de pandemia estava tudo parado, e eu tive a ideia de atuar junto com ele”

“Nem foi tanto a questão de um sonho, mas sim, de uma oportunidade. Tem oportunidade que passa e você tem que agarrar. Não é toda hora que eu vou ter um convite para jogar com meu filho. E eles (SPFC), não tinham muitos jogadores também. Agora vejo a dimensão que isso tomou, muitas pessoas elogiando, falando que não tem preço e enquanto tem saúde, tem que fazer coisas que a gente nem imaginava“.

Nesta primeira fase da Copa LPF, o São Paulo segue invicto e desponta como um dos favoritos ao título. Índio também fala dessa fase no Tricolor e da diferença de idade em relação ao filho:

Eu, com 46 anos, e o Arthur com 19, de fato é uma grande diferença pra você jogar um campeonato como esse. E nesse campeonato, a gente está invicto, ainda não perdemos, nenhuma partida. O time foi montado recentemente, apesar de ter grandes jogadores como o Pula, o Greuto, Lima, o Rafa e outros do sub-20, mas que têm muita qualidade também“.

Felicidade sem tamanho:

É uma felicidade que não tem preço. Pedi a opinião de amigos, falei quais seriam as condições e muitos falavam ‘você não tem nada a perder’. Mas a gente tem que zelar pelo nome, eu me cobro muito. Não é fácil, mas também não é difícil. Quando você quer, você busca, você se prepara mentalmente e consegue fazer com as coisas deem certo. Quando você tem pensamento positivo e tem ao lado pessoas do bem, as coisas, teoricamente, tendem a ir para um caminho mais fácil. Mas é uma grande felicidade estar nesta equipe e atuando no mesmo que ele“.

O retorno às quadras

Eu nunca tive expectativas de propostas, sempre me preparei. Eu jogo por que gosto, tenho condições de jogar e sempre me preparo para desafios. Eu estava sem jogar dois anos e voltar, ter que acompanhar,  jogar 30 minutos cronometrados e hoje no futsal você joga cinco minutos, descansa, joga, descansa, e eu sou contra isso. Acho que você tem jogar por efetividade e não estipular um tempo para um jogador ou quarteto e no momento em que se está na quadra, tem que render. Rendeu joga, não redeu, troca, é pra isso que tem os reservas”.

Essa é a minha condição e um desafio também, eu jogo com 46 anos e escuto muito as pessoas me perguntando quando eu vou parar. Mas eu nunca perguntei para um médico ou para um advogado quando é a hora de um jogador de parar. Ele para porque ele não se condiciona. Acho que, quando um jogador começa a se cuidar, se condicionar e ser profissional, ele não vai ter esse problema em nenhuma modalidade e isso é comprovado. Em outras modalidades, os atletas vão até onde eles entenderem que é melhor pra eles, e quando sofre uma crítica, a imprensa acaba aposentando esse cara, talvez em, sua melhor forma, não que seja a minha. Nunca tive um déficit físico ou técnico de quando eu jogava no Corinthians, e no São Paulo, eu consigo provar isso, embora não precise provar isso pra ninguém. É mais uma questão de atuar e ser feliz“, encerrou.

O outro lado:

Arthur começou com 11 anos no Ca Juventus, da Mooca,  onde foi treinado pela técnica Marcinha, depois se transferiu para o CE Penha, para atuar na categoria sub-16, com o Luizinho e devido à pandemia ele ficou sem jogar. O jovem atleta também fala sobre a oportunidade em jogar ao lado do pai:

A oportunidade com meu pai apareceu e agarrei junto com ele. Com o passar do tempo, fui percebendo como é incrível ter um pai que dá dicas, apoia e faz de tudo para ver o melhor do seu filho. Está sendo um sonho para mim atuar com grandes jogadores e que são considerados lendas. E a sensação mais incrível é na hora do jogo, que me sinto muito leve e feliz, porque quando eu entro nos jogos é uma sensação de satisfação e de sentir que faz o trabalho que você ama, com quem você ama. Está sendo um sonho de qualquer um jogador que gostaria de jogar com o pai“.

 

Foto: Yuri Gomes