Craques da bola ditam o ritmo dentro e fora das quadras

Não é apenas no futebol em que os jogadores também têm outros dons. No futsal, craques e ex-craques já demonstraram suas habilidades no mundo da música. Seja no samba, no rock, na black music e até no jazz. É comum ver os atletas ‘arranhando’ um instrumento nas viagens, concentrações a agora, nas Redes Sociais. O pandeiro e o cavaco são assessórios indispensáveis na mochila de quem quer alegrar qualquer ambiente.

Gafanha (Pulo Futsal), Paulinho Japonês (campeão da LPF 2013 pelo Corinthians), Jé (Jaraguá Futsal), Djonny (Pato Futsal), Firma (São José Futsal), Wagner Bahia (ex-atleta), Cleiton Merenciano (treinador) e até os comentaristas Marcelo Rodrigues e Alê Oliveira já deram suas ‘canjas’ por aí. No entanto, um ex-atleta passou a investir na carreira, inclusive com bacharelado em música: Carlinhos (ex-Corinthians, Intelli/Orlândia, São José Futsal, além de equipes do exterior).

Com vocação para o jazz desde os 11 anos, Carlinhos tem como principais referências, nomes como: Wes Montgomery (Guitarrista), Charlie Parker (Sax alto), John Coltrane (Sax tenor), Miles Davis (Trompete), Joe Pass (Guitarrista), Chat Backer (Trompete), todos do gênero.

Paulinho Japonês, que recentemente defendeu as cores do São Caetano Futsal na LPF 2019,  fala sobre este outro lado:  “Na verdade não sou músico. Eu brinco um pouco, no ‘busão’ e tal. Eu sempre dei uma riscada no pandeiro, desde 1994, quando andava com os caras que gostava mais de samba, lã Marvel, de Santos. Eu tenho uns pandeiros em casa, me arrisco, mas tenho minhas limitações”.

O treinador Cleiton Merenciano já está mais íntimo com os instrumentos, e tudo começou por influência do pai:

Começou em casa, com meu pai. Ele ouvia muito os discos do Gleen Miller, Ray Conniff, ele gosta muito deste gênero. Mas sempre ouvimos muita música brasileira, muito samba, MPB. E um pai de um amigo, que era instrumentista (tocava pandeiro, cavaco e choro), a gente foi se influenciando por conta dele. Então, o samba ficou muito enraizado. Então, essas foram minhas duas principais referências“, diz.

Não demorou muito para que ele formasse seu primeiro grupo de samba, composto só por meninos do próprio bairro:

A gente tinha um grupo de samba de garotos lá do meu bairro, e com 10 anos, compramos uns instrumentos. Começamos a fazer umas batucadas. E eu sempre gostei muito de carnaval, desfiles de escolas de samba. Era muito aficcionado por isso e comecei a aprender a tocar muito cedo, meio autodidata, vendo os caras mais velhos tocando. Também tinha muito aquela coisa de batucada de beira de campo. Meu pai ia jogar e eu ficava ali, arranhando os instrumentos, e acabei aprendendo“, encerrou.

Durante este período de isolamento social, é possível ver os salonistas nas Redes Sociais cantando ou tocando algum tipo de instrumento, até mesmo como forma de entreter o torcedor, enquanto a bola não rola.

 

Fotos: Arquivos pessoais