No canal de YouTube da Liga Paulista de Futsal, o treinador do SL Benfica, Joel Rocha, participou de uma live de referência internacional composto pelos principais nomes da modalidade: Marquinhos Xavier (Brasil), Matías Lucuix (Argentina), Federico Vidal (Espanha) e Carlos Chilavert (Paraguai), com moderação de Sérgio Adriano (professor mestrado em futsal).

Ao longo da conversa neste fórum “Futsal Mundial”, a qual durou mais de duas horas, foram abordados diversos temas, dentre eles, Formação de atletas e a adaptação ao período não competitivo.

Modelo de jogador
Atualmente no Clube temos sete escalões de competição, divididos por idades. Ao todo temos cerca de 150 jovens praticantes ligados ao Benfica e temos uma preocupação sequencial. Evidentemente que todos queremos que o produto final seja chegar à equipe principal, mas para isso há um caminho a percorrer e esse caminho tem sempre duas perspetivas: a perspetiva do formador e a perspetiva do rendimento.

Por norma, o rendimento não é traduzido com tempo, ou seja, queremos as coisas depressa e nós em Portugal costumamos dizer que ‘depressa e bem há pouco quem’. Isto significa que em termos da formação do nosso clube, temos um primeiro objetivo que é definir o modelo de jogador, e isto diz respeito ao homem, seja ele de 12, 16 ou 18 anos. Primeiro vem o homem e só depois vem o praticante de futsal, essa é a nossa primeira preocupação. Há algo determinante para se poder chegar a um time principal, como a do Benfica. A questão do respeito, da constante superação e acima de tudo, devido à dimensão quantitativa e mediática que tem o nosso clube, conseguir, desde tenra idade, uma gestão emocional do seu rendimento e da sua vida após o futsal extremamente exigente. Por vezes, estas camisolas têm um peso extra que advém de muitos olhos estarem virados para nós.”

Modelo de formação
O modelo de formação é transversal a todos os escalões. Aí definimos aquilo que são os princípios, as regras que queremos para o treino, para o jogo, e as formas e condicionantes que queremos para o abordar. Independentemente de uma equipa defender mais pressionante, mais em espera, de atacar 4×0, de atacar com pivô, o modelo de formação que nós temos requer que o nosso atleta seja capaz de se adaptar a qualquer circunstância de qualquer tipo de jogo que venha a encontrar do adversário. Isto requer tempo, persistência e muita competência“.

Modelo de treinador
Já temos o modelo de jogador, o modelo de formação, temos depois uma preocupação com o modelo de treinador. Quem é que são os treinadores que desenvolvem as suas competências na base? São formadores à medida do escalão que estão a desenvolver o seu trabalho, porque a verdade é que para trabalhar com uma equipa de adultos são necessárias umas competências e para trabalhar com uma equipa de petizes ou benjamins são necessárias outras. Nas idades mais jovens somos educadores, orientamos aquilo que é a atividade, e à medida que as idades vão subindo vamos aumentando as competências do jogo do ponto de vista técnico, tático e cognitivo. Nas idades mais baixas, uma atenção maior naquilo que são as atividades coordenativas“.

Modelo de jogo
Não temos um modelo de jogo totalmente transversal da equipe adulta para a equipe de base. O que é transversal é o que referi anteriormente. É muito importante que se perceba que, além daquilo que é o treinador e a sua equipa técnica, conseguimos usufruir de condições estruturais e de recursos humanos que nos dão diversas áreas de competência. E aqui incluímos treinador de guarda-redes, envolvemos os trabalhos no gabinete de psicologia, de análise e observação, de nutrição e de fisiologia. À medida que as idades vão avançando, começamos também a incluir o gabinete de comunicação. O nosso modelo aqui, com aspetos comuns, mas com muitos aspetos particulares, tem em consideração todas estas áreas que envolvem o fenômeno“.

Objetivo final
Chegar à equipe principal e fazer parte do plantel. É atualmente um dos objetivos do Clube que a equipe sênior tenha entre 25% a 30% de jogadores formados no Benfica. Temos conseguido isso de duas formas. Através de jogadores que conseguem fazer o percurso dentro do Clube até chegar à equipe sênior e jogadores que fazem uma parte da formação no Benfica e que depois, para otimizar o crescimento e aproximá-los à exigência do time adulto, são colocados em clubes que participam na I Divisão, com o intuito de se desenvolverem e crescerem mais rápido, vivenciarem outras dificuldades. Quando entendemos que estão prontos para representar a equipe sênior, integramo-los novamente“.

Saúde prioritária
A nossa Federação tomou a decisão de terminar as competições. Quando a decisão tem um peso e um impacto mediático tão grande é porque tem uma principal preocupação, estamos a falar de saúde. Não nos compete a nós estar a avaliá-la ou a julgá-la, até porque são situações muito mais importantes do que um jogo. A saúde esta efetivamente em primeiro lugar“.

Indefinição no regresso
Neste momento não há datas. Em função dessa espera, o momento é também de indefinição. Não entramos em pânico e necessitamos de manter este nível de ansiedade baixo para continuar a pensar. São importantes estes tipos de partilha, de informações, continuar a processar informação“.

Adaptar a preparação
Aquilo que vou sentindo é que vamos necessitar de ser muito criativos perante aquilo que aí vem. Estamos a viver um problema novo, e para um problema novo a solução terá de ser nova. Não podemos recorrer àquilo que já fizemos na preparação de uma equipa em períodos não competitivos, porque nada disto é igual. Vamos ser desafiados para inovar, para nos adaptarmos àquilo que vamos propor, uma fase diferente de preparação e depois entrar no período competitivo. Até lá, é importante estarmos serenos para tomarmos boas decisões“.

Com informações e fotos: SL Benfica