Não há dúvidas que o futsal é uma das modalidades mais praticados em todo o mundo. E tudo começou no ano de 1930, quando o professor de educação física, Juan Carlos Ceriani Gravier, da ACM (Associação Cristã de Moços), criou o esporte, a partir de uma simples brincadeira de criança.

Juan Carlos Ceriani Gravier (1907-1996)

De acordo com pesquisas, e até mesmo ao reconhecimento da FIFA, a modalidade surgiu em uma época em que o Uruguai respirava a conquista do título de campeão mundial, dentro de seus domínios. Motivadas pelo triunfo internacional, algumas crianças uruguaias não tinham onde jogar futebol e para se divertirem, começaram a ‘bater uma bola’ em quadras de basquetebol.

Ao se deparar com aquele ‘improviso’, o professor Juan Carlos Ceriani elaborou algumas regras peculiares, usando como referência o regulamento de outras modalidades, como o handebol e o próprio basquete. A partir disso, Ceriani batizou o novo esporte como ‘Indoor-Foot-Ball’.

Cinco anos depois, o futebol de salão chegou ao Brasil, onde passou a ser chamado de futebol de salão. A modalidade era praticada por sete atletas em cada time. Posteriormente, foram criadas algumas mudanças e o número de jogadores por equipe passou a ser de cinco para cada lado.

Neste processo de mudanças a adaptações, vale ressaltar que o peso da bola era considerável leve demais para a época, uma vez que a cada chute, saía de quadra com muita facilidade. Notando esta deficiência, os praticantes optaram por mudar o peso, deixando-a mais pesada.

Nos anos 60, o futebol de salão já era uma realidade em alguns países da América do Sul e devido à toda esta evolução, nasceu a CSFS (Confederação Sul-Americana de Futebol de Salão), a qual era composta por Argentina, Brasil, Paraguai, Peru e Uruguai. A entidade foi o principal ponto de partida para a criação da FIFUSA (Federação Internacional de Futebol de Salão). Fundada em 25 de julho de 1971, em São Paulo (SP), a FIFUSA teve como primeiro Presidente, João Havelange. Já em 1980, o até então dirigente do Palmeiras (SP), Januário D’Aléssio Neto tornou-se o novo presidente da entidade.

Januário D’Aléssio foi um dos grandes responsáveis pela difusão do esporte a nível internacional, inclusive a criação do primeiro Campeonato Mundial de Seleções, realizado em 1982, com o Brasil sendo o grande campeão, ao vencer o Paraguai por 1 x 0, gol de Jackson (o primeiro atleta a usar a camisa 12, anos mais tarde, adotada por Vander Iacovino e Falcão).

A FIFUSA organizou mais dois Mundiais: 1985 (disputada na Itália, onde o Brasil mais uma vez sagrou-se campeão) e em 1988 (com sede na Austrália). Desta vez, quem fez a festa foram os paraguaios, que derrotaram a Seleção Brasileira, de virada, por 2 x 1. Este triunfo do Paraguai quebrou uma hegemonia do Brasil, a qual durava desde 1957. Ou seja, 920 jogos invictos.

Todo este sucesso do Futebol de Salão, despertou na FIFA o interesse em ‘abraçar’ a modalidade, deixando-a mais moderna e dinâmica, começando pela nomenclatura, sendo que a partir de 1990, passou a ser chamado de Futsal. Um nome simples e de fácil pronúncia em todo o planeta. Além do novo nome, também vieram mudanças na regras, no peso da bola (voltando a ser um pouco mais leve), dimensões no tamanho de quadra e até mesmo uniforme utilizado pela arbitragem (na época do futebol de salão, os árbitros vestiam calças brancas e com a ‘criação’ do futsal, foi adotado o uso de calções e meiões).

A partir de então, a modalidade cresceu de maneira rápida, com adeptos em quase todos os continentes e um novo formato de ‘Copa do Mundo’, disputada a cada quatro anos, com um processo de jogos eliminatórios (seguindo os moldes do futebol de campo).

Sendo a primeira disputada nos Países Baixos, onde o Brasil sagrou-se campeão ao vencer o time local pelo placar de 2 x 1. Na edição de 1992, em Hong-Kong, mais uma vez deu Brasil. Vitória por 4 x 1 sobre os Estados Unidos.

O Triunfo brasileiro se repetiu em 1996, com vitória de 6 x 4 em cima dos espanhóis (donos da casa). Em 2000, na Guatemala Espanha deu o troco: 4 x 3. Na edição de 2004, em Taipei (China), a Espanha superou a Itália m 2 x 1.

A hegemonia brasileira se consolidou dentro de casa, após partida emocionante contra a Espanha. No tempo normal e na prorrogação, as duas equipes empataram e na cobrança de penalidades máximas, deu Brasil: 4 x 3.

Em 2012, na Tailândia, mais uma vez a seleção espanhola pela frente. Placar final: 3 x 2 para o Brasil na prorrogação, e por fim, na última edição, na Colômbia, em 2016, uma decisão inédita entre Argentina e Rússia, com vitória da equipe sul-americana pelo placar de 5 x 4.

Por Gilberto Santos | Fotos: Divulgação